sábado, 18 de maio de 2013

GEOGRAFIA DO ÊXODO NO BRASIL

GEOGRAFIA DO ÊXODO NO BRASIL

Imigrantes e emigrantes no Brasil em 2009.
FONTE: IBGE, Pesquisa Nacional por Amosta de Domicílios, 2009.

O Censo 2000 (IBGE) confirmou tendências nos fluxos migratórios e mostrou novos espaços de redistribuição populacional. Mostrou que os deslocamentos entre as regiões brasileiras envolvem cerca de 3,3 milhões de pessoas, dentre as quais, entre entradas e saídas, destacou-se a Região Nordeste que apresentou a maior perda absoluta (730 mil pessoas), tendo as trocas com o Sudeste contribuído com cerca de 2/3 dessa perda.
Nos últimos anos da década passada, o Nordeste continuou sendo uma região de expulsão populacional, visto que as trocas com as outras regiões brasileiras foram negativas, sendo que a Região Sul foi a que apresentou o menor saldo nas trocas com o Nordeste brasileiro. Percebemos também analisando a imagem acima que a região que mais recebeu migrantes foi a sudeste com quase 660 mil pessoas. Este fato é explicado devido ao fluxo migratório do nordeste brasileiro principalmente para São Paulo, em busca de emprego e melhores condições de vida.
A imagem abaixo ilustra como acontece o fluxo migratório no Brasil entre as mais diversas regiões. É importante salientar que ocorrem também fluxos migratórios dentro da mesma região como ocorre no Sul e Centro-Oeste. Mais uma vez a região Nordeste é a que mais apresenta fluxo migratório em relação às outras regiões.

A Região Sudeste, historicamente, recebeu o maior número de migrantes, tem apresentado declínio na migração, consequência da estagnação econômica e do aumento do desemprego na região. Nesse sentido, ocorreu uma mudança no cenário nacional dos fluxos migratórios, onde a região centro-oeste passou a ser o principal destino.

Autor: Josenilton Matos Dias

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A Triste Partida - Luiz Gonzaga


Setembro passou, com oitubro e novembro
Já tamo em dezembro.
Meu Deus, que é de nós?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.

A treze do mês ele fez a experiença,
Perdeu sua crença
Nas pedra de sá.
Mas nôta experiença com gosto se agarra,
Pensando na barra
Do alegre Natá.

Rompeu-se o Natá, porém barra não veio,
O só, bem vermeio,
Nasceu munto além.
Na copa da mata, buzina a cigarra,
Ninguém vê a barra,
Pois barra não tem.

Sem chuva na terra descamba janêro,
Depois, feverêro,
E o mêrmo verão
Entonce o rocêro, pensando consigo,
Diz: isso é castigo!
Não chove mais não!

Apela pra maço, que é o mês preferido
Do Santo querido,
Senhô São José.
Mas nada de chuva! tá tudo sem jeito,
Lhe foge do peito
O resto da fé.

Agora pensando segui ôtra tria,
Chamando a famia
Começa a dizê:
Eu vendo meu burro, meu jegue e o cavalo,
Nós vamo a São Palo
Vivê ou morrê.

Nós vamo a São Palo, que a coisa tá feia;
Por terras aleia
Nós vamo vagá.
Se o nosso destino não fô tão mesquinho,
Pro mêrmo cantinho
Nós torna a vortá.

E vende o seu burro, o jumento e o cavalo,
Inté mêrmo o galo
Vendêro também,
Pois logo aparece feliz fazendêro,
Por pôco dinhêro
Lhe compra o que tem.

Em riba do carro se junta a famia;
Chegou o triste dia,
Já vai viajá.
A seca terrive, que tudo devora,
Lhe bota pra fora
Da terra natá.

O carro já corre no topo da serra.
Oiando pra terra,
Seu berço, seu lá,
Aquele nortista, partido de pena,
De longe inda acena:
Adeus, Ceará!

No dia seguinte, já tudo enfadado,
E o carro embalado,
Veloz a corrê,
Tão triste, o coitado, falando saudoso,
Um fio choroso
Escrama, a dizê:

- De pena e sodade, papai, sei que morro!
Meu pobre cachorro,
Quem dá de comê?
Já ôto pergunta: - Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato,
Mimi vai morrê!

E a linda pequena, tremendo de medo:
- Mamãe, meus brinquedo!
Meu pé de fulô!
Meu pé de rosêra, coitado, ele seca!
E a minha boneca
Também lá ficou.

E assim vão dexando, com choro e gemido,
Do berço querido
O céu lindo e azu.
Os pai, pesaroso, nos fio pensando,
E o carro rodando
Na estrada do Su.

Chegaro em São Paulo - sem cobre, quebrado.
O pobre, acanhado,
Percura um patrão.
Só vê cara estranha, da mais feia gente,
Tudo é diferente
Do caro torrão.

Trabaia dois ano, três ano e mais ano,
E sempre no prano
De um dia inda vim.
Mas nunca ele pode, só veve devendo,
E assim vai sofrendo
Tormento sem fim.

Se arguma notícia das banda do Norte
Tem ele por sorte
O gosto de uvi,
Lhe bate no peito sodade de móio,
E as água dos óio
Começa a caí.

Do mundo afastado, sofrendo desprezo,
Ali veve preso,
Devendo ao patrão.
O tempo rolando, vai dia vem dia,
E aquela famia
Não vorta mais não!

Distante da terra tão seca mas boa,
Exposto à garoa,
À lama e ao paú,
Faz pena o nortista, tão forte, tão bravo,
Vivê como escravo
Nas terra do su. 

domingo, 12 de maio de 2013


Palco de Debate:

Êxodo e Democracia

Retirantes. Cândido Portinari

A população brasileira, principalmente a nordestina, historicamente sempre foi castigada por diversas intempéries que impediam o desenvolvimento econômico e social, sendo necessária a migração de seus locais de origem em busca de novas oportunidades e condições melhores de vida.
Este verdadeiro êxodo populacional, objeto de diversos estudos e pesquisas, acontece devido à ausência de políticas públicas de enfrentamento da pobreza e diminuição das consequências da seca. A falta de perspectiva de crescimento nos rincões do país faz acontecer um fluxo migratório para os grandes centros urbanos com objetivo de fugir da miséria e desamparo estatal.
No entanto, ao chegar às metrópoles, essa população depara-se com uma realidade totalmente anacrônica aos seus hábitos e costumes, em que impera a violência e desigualdade social, tendo que viver em bairros periféricos e submeter-se a empregos com alta carga horária em detrimento de remuneração adequada.
Esta situação gera a inversão do êxodo populacional no Brasil, que vem desde as últimas décadas do século passado apresentando sensíveis mudanças focadas no retorno desta população para seus locais de origem.
O presente blog se apresenta como palco de discussão desta temática, debatendo em diversos eixos os mais variados motivos que levam ao êxodo migratório no Brasil.

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